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Por vezes, as pessoas nem sempre sabem valorizar as coisas como deve ser, nem sempre conseguem distinguir as más das boas acções. Algumas vezes também não conseguem ver de que forma estão a prejudicar os outros, ou a elas próprias, e nem sequer pensam muito bem no que realmente pode estar em causa. Quantas vezes temos comportamentos que afectam aqueles que mais gostamos, quantas vezes cedemos com umas pessoas e ao mesmo tempo somos intransigentes com outras, como conseguimos em diferentes contextos ser também uma espécie de pessoas diferentes. Quanto tempo já perdemos ao telefone com alguém que não nos diz tanto como aqueles a quem, por vezes, não damos tempo quase nenhum e que, afinal, são aqueles que nos dizem tudo. A ideia de que a família são aqueles de quem mais abusamos é a mais pura realidade. Do facilitismo, da “despreocupação”, do dado (quase) adquirido. Este é o parêntesis mais importante da história pois é a consciência de que nada é adquirido à partida e é um sinal de que todos temos que nos preocupar com a família, com os amigos e com os outros. Os mais despreocupados do presente têm que ser os preocupados do futuro pois devem reconhecer que essa atitude pode condicionar a sua vida e a dos outros. Essa atitude que nunca deve deixar de ser positiva, alegre e colorida, mas que deve tentar sempre ser responsável. Ninguém é perfeito e todos temos os nossos pecados mas estes devem ser excepções na nossa tentativa de melhorar o presente. Sabem, eu já estou um bocado farto de escrever que as coisas devem ser assim ou assado, que eu vou tentar conseguir isto ou aquilo, mas a verdade é que eu até acho que já consegui muito, já compreendi muitas coisas e sei que posso compreender muitas mais. E conseguindo isto, esta consciência, estamos com certeza mais perto de conseguir (quase) tudo. Às vezes temos que escrever este tipo de histórias para pensarmos que podemos estar no bom caminho e que as coisas boas podem realmente acontecer. E também que nunca deixaremos de ajudar os amigos, principalmente quando estes se quiserem ajudar a si próprios.
Os meandros da bola
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Estávamos num final de ano quando me lembrei de criar um blogue onde pudesse escrever o que me viesse à cabeça e onde poderia criticar e comentar os mais variados temas e acontecimentos. Este acabou por ser um misto de tudo com coisa nenhuma e o facto de nunca me ter dedicado a ele com muita regularidade não ajudou muito a coisa. Mas também pela coincidência da data, quis passar a mensagem de que o seguinte poderia ser um ano decisivo para mim a muitos níveis e a prova disso foi o nome criado para o blogue. Passados estes poucos anos, e não querendo agora comentar o conteúdo e a forma, dou por mim a pensar num paralelismo estúpido e, como o achei tristemente engraçado, deixo-vos aqui esse pensamento. O meu discurso e atitude desse final de ano acabaram por não ser muitos diferentes dos últimos anos, e é agora que eu começo a pensar na semelhança com o “glorioso”. Todos os anos eu acredito e afirmo que vai ser diferente e mais positivo que o anterior, e só não digo que vou ser o campeão porque ainda não me acho em condições para tal. Essa é uma das grandes diferenças da tal semelhança. Os homens dizem sempre que vão ser campeões. Mas, para minha grande tristeza e preocupação, existe uma outra coisa que parece ser quase igual. O Benfica dos últimos anos herdou uma realidade muito complicada de uma má direcção, associada a uma má gestão baseada numa criação de expectativas através de caminhos turvos e de facilitismo. As últimas direcções conseguiram, pelo menos parece, dar alguma credibilidade financeira ao clube e, além disso, conseguiram criar algumas estruturas e equipamentos essências para um clube com a dimensão e objectivos do Benfica. E esta é outra das grandes diferenças, eu sou apenas eu e o Benfica é uma naçon! Mas, no fundo, é tudo muito bonito menos uma coisa fundamental… os títulos, a gloria. A alegria final em vez de algumas alegrias momentâneas que acabam por não conseguir disfarçar a tristeza (a)final. E com esta falta de títulos, todo o processo parece perdedor, todas as pequenas conquistas parecem não ter significado. Que o diga o actual presidente do clube, pessoa que marca a outra diferença. Não querendo retirar outros méritos a alguém que nem conheço muito bem, eu sou como sou e não gostava de ser como ele. Mas voltemos à alegria, esse motor da vida que nos dá força para lutar e para acreditar que, com ela, tudo é mais fácil de enfrentar. É que depois as coisas passam a ter um sentido natural, a alegria vem de todos os lados, de todas as vitórias, das pequenas que passam a ser vistas como o suporte das grandes, das grandes que são o deleite supremo, e até das derrotas que passam a ser as vitórias académicas pelos ensinamentos que proporcionam. Mas, se as condições funcionais e estruturais começam a funcionar, porque carga de água é que as vitorias não aparecem? E aqui esta a infeliz semelhança, aqui é que a porca torce o rabo. Porque uma coisa pode não ter nada a ver com a outra, porque quem faz bem uma coisa pode não perceber nada de outra e porque uma boa gestão de um clube no seu todo, não implica que se perceba muito de futebol ou dos seus principais intervenientes. Dou por mim a pensar que também eu, se calhar, não ando a perceber muito de “futebol”. Tento arrumar a casa aos poucos, com mais ou menos jeito, com mais ou menos empenho, e o certo é que cada vez me vou sentindo mais protegido. É que os meus problemas são essencialmente actuais, e não dum passado que insistia em atormentar a toda a hora tornando tudo mais complicado. Ainda vai acontecendo mas com outra expressão e dimensão. O meu problema agora está mesmo na raiz do futebol, nas pessoas que jogam dentro das quatro linhas, na táctica, no treinador. Todos os anos confio no trabalho desenvolvido para a tal reestruturação necessária para obter as vitórias tão desejadas mas, ano após ano, não estou a conseguir encontrar uma equipa ganhadora, um espírito comum, um balneário coeso e vitorioso.
Mas que grande analogia, que pensamento elevado. Sabem, na realidade eu até sou um bom jogador de futebol, nem sei bem porque é que as coisas não funcionam. Talvez vá falar com o Rui para ver se conseguimos juntos dar a volta à situação. Antigamente até daria para matar dois coelhos de uma vez só! E já que estou a brincar com a bola, não há melhor chavão para terminar do que dizer que me estou a preparar afincadamente neste defeso para mais uma época de trabalho e de confiança em alcançar as tão desejadas vitórias. E o Sporting pode sempre esperar…
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À procura de alguém, à procura de um caminho
O caminho é por ali, e alguém, já o será?
À procura de um espaço, de um lugar
Será que existe, vou tentar ver
Ver para crer ou ver por querer?
Ver para saber ou apenas por viver?
Não sei…vou ver…
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Palavra tão lusitana
De todas a mais ingrata
Aquela que lembra e retrata
O amor perdido que engana
Essa dor que faz parte da trama
É conforto que solta e que ata.
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No outro dia eu estava sentado no sofá e mais uma vez dei por mim afrontado com um grande dilema. Por volta das onze horas, altura em que começo a mentalizar-me que já devia estar na cama, notei que a luz da sala estava acesa e fiquei com o tal dilema na minha cabeça. Sempre que sentia que havia muita luz acabava por não a apagar, pois seria uma forma de me lembrar que tinha que ir para a cama o mais cedo possível e que, sendo assim, deveria apaga-la apenas nessa altura. Sem dúvida um grande plano, quase de génio. Mas foi então que, por volta das duas da manhã, eu cheguei também à grande conclusão de que afinal ainda iria ficar mais uns minutos a acabar de fazer qualquer coisa e só ai é que apaguei a luz. Passados quinze minutos estava a acende-la novamente para me ir deitar. No fundo, utilizei a luz do candeeiro como se fosse o meu mandatário que me aconselharia a ir para a cama, como se fosse a responsável pela minha saúde e bem-estar, mas a verdade é que fiquei na mesma acordado e que a luz só se apagou quando já não fazia grande diferença e quando já tinha consumido muita energia.A história contada assim não parece ter nada de extraordinário mas a verdade é que pensada ao pormenor pode ser algo esclarecedora. De que? Da confusão que vai nesta cabeça. Da indecisão, do fazer, do não fazer, do pensar, do não pensar, em tudo e em nada!
Apago já?
Não, eu vou já embora, se apagar agora estou a assumir que vou ficar mais tempo.
E agora, posso apagar agora?
Não, ainda não, devia ter perguntado mais cedo, agora é só mais um minuto!
Avisas então quando for para apagar?
Agora cala-te, não quero falar mais disso, quando for para apagar eu apago.
Neste caso não é o anjinho contra o diabinho, é mais o preocupadinho contra o tolinho. Fiquei a pensar nisto quando fui para a cama e cheguei à conclusão que isto não deve ser normal. Não estou a dizer que é todos os dias, mas quando acontece é motivo de reflexão. Estarei mesmo a ficar tolinho? Será do cansaço? Esta é a minha desculpa favorita.
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Obrigado meu irmão por partilhares a dor e a saudade do nosso Papá. Às vezes parece que carrego sozinho todas as dores do mundo e isso nunca foi verdade. Obrigado aos meus Manos por me lembrarem disso de vez em quando e por partilharem as recordações.
“Papá
Só, tão só,
já não há
vida aqui.
Quem mais amo
vi partir.
Foi-se o tempo
de sorrir.
Pó, apenas pó,
o meu querido
jaz ali.
O meu Papá
está a dormir.
Prova de amor
do que há-de vir.
Ser tão grande
eu nunca vi!
Estarei, em breve,
junto a Ti.”
Fernando Afonso