Os meandros da bola
Posted by caíto | Filed under Uncategorized

Estávamos num final de ano quando me lembrei de criar um blogue onde pudesse escrever o que me viesse à cabeça e onde poderia criticar e comentar os mais variados temas e acontecimentos. Este acabou por ser um misto de tudo com coisa nenhuma e o facto de nunca me ter dedicado a ele com muita regularidade não ajudou muito a coisa. Mas também pela coincidência da data, quis passar a mensagem de que o seguinte poderia ser um ano decisivo para mim a muitos níveis e a prova disso foi o nome criado para o blogue. Passados estes poucos anos, e não querendo agora comentar o conteúdo e a forma, dou por mim a pensar num paralelismo estúpido e, como o achei tristemente engraçado, deixo-vos aqui esse pensamento. O meu discurso e atitude desse final de ano acabaram por não ser muitos diferentes dos últimos anos, e é agora que eu começo a pensar na semelhança com o “glorioso”. Todos os anos eu acredito e afirmo que vai ser diferente e mais positivo que o anterior, e só não digo que vou ser o campeão porque ainda não me acho em condições para tal. Essa é uma das grandes diferenças da tal semelhança. Os homens dizem sempre que vão ser campeões. Mas, para minha grande tristeza e preocupação, existe uma outra coisa que parece ser quase igual. O Benfica dos últimos anos herdou uma realidade muito complicada de uma má direcção, associada a uma má gestão baseada numa criação de expectativas através de caminhos turvos e de facilitismo. As últimas direcções conseguiram, pelo menos parece, dar alguma credibilidade financeira ao clube e, além disso, conseguiram criar algumas estruturas e equipamentos essências para um clube com a dimensão e objectivos do Benfica. E esta é outra das grandes diferenças, eu sou apenas eu e o Benfica é uma naçon! Mas, no fundo, é tudo muito bonito menos uma coisa fundamental… os títulos, a gloria. A alegria final em vez de algumas alegrias momentâneas que acabam por não conseguir disfarçar a tristeza (a)final. E com esta falta de títulos, todo o processo parece perdedor, todas as pequenas conquistas parecem não ter significado. Que o diga o actual presidente do clube, pessoa que marca a outra diferença. Não querendo retirar outros méritos a alguém que nem conheço muito bem, eu sou como sou e não gostava de ser como ele. Mas voltemos à alegria, esse motor da vida que nos dá força para lutar e para acreditar que, com ela, tudo é mais fácil de enfrentar. É que depois as coisas passam a ter um sentido natural, a alegria vem de todos os lados, de todas as vitórias, das pequenas que passam a ser vistas como o suporte das grandes, das grandes que são o deleite supremo, e até das derrotas que passam a ser as vitórias académicas pelos ensinamentos que proporcionam. Mas, se as condições funcionais e estruturais começam a funcionar, porque carga de água é que as vitorias não aparecem? E aqui esta a infeliz semelhança, aqui é que a porca torce o rabo. Porque uma coisa pode não ter nada a ver com a outra, porque quem faz bem uma coisa pode não perceber nada de outra e porque uma boa gestão de um clube no seu todo, não implica que se perceba muito de futebol ou dos seus principais intervenientes. Dou por mim a pensar que também eu, se calhar, não ando a perceber muito de “futebol”. Tento arrumar a casa aos poucos, com mais ou menos jeito, com mais ou menos empenho, e o certo é que cada vez me vou sentindo mais protegido. É que os meus problemas são essencialmente actuais, e não dum passado que insistia em atormentar a toda a hora tornando tudo mais complicado. Ainda vai acontecendo mas com outra expressão e dimensão. O meu problema agora está mesmo na raiz do futebol, nas pessoas que jogam dentro das quatro linhas, na táctica, no treinador. Todos os anos confio no trabalho desenvolvido para a tal reestruturação necessária para obter as vitórias tão desejadas mas, ano após ano, não estou a conseguir encontrar uma equipa ganhadora, um espírito comum, um balneário coeso e vitorioso.
Mas que grande analogia, que pensamento elevado. Sabem, na realidade eu até sou um bom jogador de futebol, nem sei bem porque é que as coisas não funcionam. Talvez vá falar com o Rui para ver se conseguimos juntos dar a volta à situação. Antigamente até daria para matar dois coelhos de uma vez só! E já que estou a brincar com a bola, não há melhor chavão para terminar do que dizer que me estou a preparar afincadamente neste defeso para mais uma época de trabalho e de confiança em alcançar as tão desejadas vitórias. E o Sporting pode sempre esperar…