No outro dia eu estava sentado no sofá e mais uma vez dei por mim afrontado com um grande dilema. Por volta das onze horas, altura em que começo a mentalizar-me que já devia estar na cama, notei que a luz da sala estava acesa e fiquei com o tal dilema na minha cabeça. Sempre que sentia que havia muita luz acabava por não a apagar, pois seria uma forma de me lembrar que tinha que ir para a cama o mais cedo possível e que, sendo assim, deveria apaga-la apenas nessa altura. Sem dúvida um grande plano, quase de génio. Mas foi então que, por volta das duas da manhã, eu cheguei também à grande conclusão de que afinal ainda iria ficar mais uns minutos a acabar de fazer qualquer coisa e só ai é que apaguei a luz. Passados quinze minutos estava a acende-la novamente para me ir deitar. No fundo, utilizei a luz do candeeiro como se fosse o meu mandatário que me aconselharia a ir para a cama, como se fosse a responsável pela minha saúde e bem-estar, mas a verdade é que fiquei na mesma acordado e que a luz só se apagou quando já não fazia grande diferença e quando já tinha consumido muita energia.A história contada assim não parece ter nada de extraordinário mas a verdade é que pensada ao pormenor pode ser algo esclarecedora. De que? Da confusão que vai nesta cabeça. Da indecisão, do fazer, do não fazer, do pensar, do não pensar, em tudo e em nada!
Apago já?
Não, eu vou já embora, se apagar agora estou a assumir que vou ficar mais tempo.
E agora, posso apagar agora?
Não, ainda não, devia ter perguntado mais cedo, agora é só mais um minuto!
Avisas então quando for para apagar?
Agora cala-te, não quero falar mais disso, quando for para apagar eu apago.
Neste caso não é o anjinho contra o diabinho, é mais o preocupadinho contra o tolinho. Fiquei a pensar nisto quando fui para a cama e cheguei à conclusão que isto não deve ser normal. Não estou a dizer que é todos os dias, mas quando acontece é motivo de reflexão. Estarei mesmo a ficar tolinho? Será do cansaço? Esta é a minha desculpa favorita.