A última vez que estive com o meu Pai foi em Agosto do ano passado na barragem do Azibo em Macedo de Cavaleiros. Estava de férias e convenci à pressa uns amigos a passar-mos o fim-de-semana em Trás-os-Montes. Até foi esquisito, com apenas três chamadas acabamos por ir dez pessoas, um irmão incluído. E um desses amigos foi o Ricardo Brito que também estava de férias e que achou que podia ser um bom passeio, não só para ele mas também para o seu cão Blake. E como também podia ir mais cedo, combinamos subir logo na sexta-feira para aproveitar ao máximo o fds. Fomos no carro dele, por causa do cão, e assim que arrancamos fizemos o que se costuma fazer quando se vai de viagem, ou seja, escolher a banda sonora. E quando o Ricardo me apresentou um álbum dos Coldplay chamado “Viva La Vida”, eu nem hesitei. Parecia ser o espírito ideal para aquela altura& e parecia combinar na perfeição com o sol e com o calor. Sem querer, ou por querer, o certo é que o CD nunca foi trocado e faz parte da história desse fim-de-semana. Também foi com o Ricardo e com o seu cão que eu estive pela última vez com o meu Pai. Eu estava com o cão da minha amiga Sara, também um Labrador, e ele foi ter connosco à barragem onde estivemos algum tempo a falar de tudo e de cães. De raças, de cores, de feitios, de força, de nobreza, enfim, falamos um pouco sobre cães e sobre as suas características e qualidades. Quando hoje penso nesse fim-de-semana, e na última vez que estive com o meu Pai, lembro-me sempre do Ricardo, dos cães, da conversa que tivemos, e também da música dos Coldplay. Pode parecer estranho estar a misturar as coisas mas realmente tem tudo a ver com a herança de espírito do meu Pai.

Como dizia alguém “neste mundo de poetas as palavras estão todas gastas” e às vezes parece ser bem verdade! 

Ò fonte que trazes calor
Aos lagos que a terra alcança
Sabes ter a curva da esperança
Nessa pluma que levas amor
Foi no sal que trouxeste sabor
Paladar cor de rosa e lembrança