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Versos finos ou tacanhos
De quem nunca obra leu
Podem ser contraste meu
Podem ser o que deixamos
Até mesmo o que olhamos
Não apenas quem sou eu.
Eu sou farsa sem maldade
Verso sim, verso talvez
Sou recado de quem fez
Vida estranha que bem sabe
Não dar costas à verdade
Mas nem sempre nem de vez.
Versos ricos ou rimados
Veia seca que escorreu
Sal daquele que não esqueceu
A vontade dos saudados
Em cantar, não aos falados
Mas àqueles que ele escolheu.
2009
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Já devem ter reparado que estou a passar por uma fase mais existencialista, se é que lhe podemos chamar assim, onde acabo por questionar tudo e todos ao tentar perceber melhor aquilo que esta a acontecer.
Para que possam entender, tenho que explicar que a minha vida nestes últimos meses mudou de uma forma como eu nunca tinha pensado e muito menos programado. O que aconteceu alterou toda a minha maneira de sentir e de acreditar. E se é certo que nunca deixarei de sentir, e muito menos de acreditar, a verdade é que a minha lista ficou consideravelmente mais curta pois falta-lhe o seu escritor, a pessoa que sempre me ajudou a interpreta-la. Ajudava-me a perceber as coisas mais importantes, aquelas porque se deve lutar e acreditar. Actualmente sinto que perdi uma parte principal e isso conseguiu alterar toda a minha percepção de vida. As pessoas já mudam naturalmente mas certos acontecimentos trazem consigo os carimbos dessas mudanças.
Aprender a fazer ou aprender a reconhecer são duas características indispensáveis ao bom funcionamento pessoal e social. Falo de qualquer coisa, até de “poesia”. Uma grande perda transporta consigo sempre muita dor e sofrimento mas também nos transmite muitos outros sentimentos. Traz também uma espécie de termómetro que nos põe a ponderar certas coisas de uma forma diferente e que, estando ainda tudo tão fresco, serve para explicar melhor esta fase mais introspectiva. A minha “sorte” é que eu lá vou conseguindo conciliar quase tudo e, juntamente com a minha reflexão, nunca deixo de tentar caminhar sempre com muita vontade e empenho. Como dizia alguém, o que tem que ser tem muita força, e assim continuará a ser no futuro. Seja com mais ou menos energia, maior ou menor disponibilidade, o certo é que terá mesmo que ser. Meus amigos, espero sinceramente que o ano 2009 nos traga a todos mais sorte e alegria. Eu acredito que sim.
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Mas que raiva de mostrar
Peso tal de consciência
Qual tratado de vivência
Que se deva questionar
E até mesmo condenar
Certa causa de existência
Ter-se raiva por querer
Ser bem visto e desejado
Ser por todos bem amado
Quase sempre sem saber
Se a ganhar ou a perder
Tal encanto do passado
Raiva então, se essa for,
A forma que possa levar
Dar sentido a imaginar
Que exista mais valor
E, quem sabe, mais louvor
Noutra ordem de pensar
Esta raiva de sentir
É só mais do que acontece
E é verdade que merece
Sem razão de distinguir
Da minha falha conseguir
Ser maior do que parece