RAP a tudo

Atenção malta, muita atenção

Olhem que isto não é bem uma canção
Vendo bem nem sequer existe nota

Pode bem que seja tudo uma anedota


 

Mas então, que será que faço aqui?

Não sei bem mas parece que é daqui

Esta cantiga que saiu do turbilhão

Será lembrada como um baile de verão

 

Tenho a mania? Não sei, pois bem

Apenas tento é dar tudo por alguém

Àqueles amigos, aos meus irmãos

Quer a vontade que a todos dê as mãos   

 

Pois o que eu quero lá no fundo é ver amor

Sem vergonha, preconceitos ou pudor

Pois o que eu quero bem no fundo é partilhar

As cores da vida e da amizade sem notar

 

Como alguém até pode querer mais

E que essa ideia até possa ser das tais

Mas pode até, ao contrário dos intentos,

Tornar a vida numa coisa de momentos

 

Deixar então os sentidos praticar

Com essas cores que podemos alternar 

Mudar o mundo que se torna tão cinzento

Com alegria, confiança e muito alento

 

E sem esquecer que certas vidas reais

Conquistam pontos aos cenários virtuais

Pois todos nós precisamos na viagem

Daquele carinho, dum abraço e da mensagem

 

De alegria, de vontade e de esperança

Em alcançar o tal estado de bonança

Fazer do sol uma visita regular

Para que o caminho se consiga iluminar

 

E foi assim que acabou a cançoneta

Que não se rala e de tudo se lamenta

É por isso que então vos deixo a nota

Afinal, isto é mesmo uma anedota

Gancho de esquerda à direita…

Eu sempre fui defensor de que a economia liberal era uma inevitabilidade dos tempos e que o capitalismo seria um sistema lógico de distribuição de riqueza e de criação de postos de trabalho e que isso, por consequência, acabaria por dar à sociedade um carácter normalizado no que se refere à igualdade de oportunidades.

Dessa forma, estaríamos todos no mesmo nível e todos teríamos a possibilidade de criar algo a partir do “zero”. E podíamos sempre dizer que, tal como com a Democracia, esta acabaria por ser a menos má das soluções quando pensada de uma forma mais pragmática. Mas o problema é que nem sempre a lógica e a razão são universais quando estamos a falar de pessoas, dos seus interesses e das suas agendas particulares.

O meu Pai brincava muito com uma frase que eu considero ser aquela que melhor define o carácter intrínseco de cada pessoa;

“cada um é como cada qual e ninguém é como evidentemente”

Imagino que estejam a perguntar, mas ninguém é como o que? É isso mesmo, não é evidente…

Esta frase representa bem o que se pode esperar de qualquer pessoa, seja ela de esquerda ou de direita, liberal ou conservadora, preta ou branca, cristã ou muçulmana, ou outra qualquer. As ideias só são boas quando quem as pratica é igual ou melhor do que elas. Sem as pessoas as ideias nem sequer existiriam e é uma pena observar que algumas delas estão a passar a perna aos seus, mais ou menos, bem intencionados progenitores.

Mas este não é apenas um problema do mundo actual pois pensando em termos históricos, o capitalismo já existe desde os tempos do mercantilismo e inclusive até desde a própria existência humana. Vendo bem, tudo é passível de se tornar capitalizado. Por exemplo, se eu tivesse mais peles do que o meu vizinho, teria menos possibilidades de passar frio e de apanhar doenças do que ele. Neste caso, o meu capital seriam as peles e a sua quantidade seria sempre proporcional à minha protecção e riqueza.

Eu acredito que a pessoa que teve a ideia original de utilizar as peles dos animais, assim como aqueles que inventaram os instrumentos, não teriam outra intenção que não fosse a de se abrigarem e a de proporcionarem mais conforto a si e aos outros, mas também gostava de saber quanto tempo terá demorado até que um Neandertal manhoso, e com jeito para caçar, se tenha lembrado de trocar as suas preciosas peles em vez de as dar, ou facilitar, como fizera até ali.

Hoje em dia passa-se o mesmo. Quer se queira quer não, o mundo hoje é 100% capitalista, quer seja dos privados ou dos estados, quer sejam liberais ou conservadores, democratas ou ditatoriais, o poder esta no dinheiro e nas pessoas que o gerem. E é isto que me assusta cada vez mais. Não é tanto a criação de riqueza em si, mas sim a forma como essa mesma riqueza é gerada e, mais importante ainda, como é distribuída. E isto, meus amigos, é transversal a todas as sociedades e aos seus interesses particulares. 

Vemos algumas pessoas em certos países muito importantes para o equilíbrio mundial, como é o caso dos EUA, que teimam em deixar que alguns andem por aí a jogar ao monopólio com o dinheiro dos outros, e vemos também muitos outros jogos. Uns de religião, outros de petróleo, alguns de geografia, mas todos de soberania. Enfim, de tudo um pouco desde que sirvam os interesses de uma imensa minoria que se vai habituando aos seus reais “direitos”. São uma espécie de oligarcas planetários que vão atropelando e influenciando meio mundo desde que isso sirva os seus ambiciosos propósitos.

Tenho que dizer, em boa verdade, que eu nunca perdi muito tempo a pensar na forma como o grande capital financeiro, e os seus novos produtos, estariam a mexer com o “tradicional” mercado capitalista baseado na produção de uma empresa, e no que isso poderia representar em termos económicos e financeiros.

Achava que haveria muita especulação, como é lógico, mas considerava que esse valor financeiro se basearia sempre no valor real das empresas e não na sua demonstração de resultados feita por “Decos” da contabilidade.

Eu apenas sabia que andavam por ai uns quantos a inventar formas cientificas de ganhar dinheiro, e sabia também que andava muita gente a “mamar”, mas o que não sabia é que era possível acontecer o que aconteceu, e da forma como aconteceu.

As pessoas são tentadas a aceitar e compreender um sistema que, ainda assim, lhes vai permitindo obter algumas coisas importantes, e outras sem importância, mas que cria mais postos de trabalho do que outro sistema qualquer. E isto não tem parado de crescer, e a um ritmo quase assustador. Mais pessoas, mais bocas, enfim, mais dificuldades quando na teoria poderia representar mais oportunidades.

Este sistema, dos que conheço, é sem dúvida a forma que melhor possibilita a distribuição de dinheiro. Claro que a grande fatia é a dos ordenados baixos mas é sem dúvida uma grande forma de espalhar dinheiro. Que ninguém julgue que o estado iria construir 15 centros comercias por ano.
O problema começa no facto de não se saber, ou querer, controlar e distribuir a riqueza gerada. É que falamos de quantidades de dinheiro tão grandes que apenas aparecem nas últimas consequências financeiras ou nos piores cenários de guerra.

Custa-me entender que exista tanto dinheiro, e para tanta coisa, mas que afinal só aparece nas piores alturas ou para as péssimas ideias.  

Como é que é um governo pode acreditar tanto no sistema financeiro ao ponto de não o regular? Os bancos fazem questão de ser os maiores reguladores do capital particular e empresarial dos seus clientes, mas não são eles próprios regulados. Como é que é?
Nós temos um estado que nos obriga a aceitar as regras dos bancos mas que não lhes obriga, também, a obedecer a determinadas regras? E não falo só dos bancos, falo também das várias responsabilidades do estado e dos seus diferentes pesos e medidas.
Como é possível continuar a suportar governos que, consecutivamente, gerem parte da sua conta corrente à custa das pessoas e das empresas? Como é que isto pode dar algum sentido de protecção e justiça social às pessoas?

No caso de Portugal, foi preciso deixar as coisas chegar a este ponto para que o governo desbloqueasse dinheiro para pagar as suas dívidas de biliões aos fornecedores? Como é possível? Parece que o estado não é apenas uma pessoa de mal, parece até que nem lhe podemos chamar de pessoa. Aquilo é tudo um conceito intangível muito estranho. Aqueles que tem o poder não têm coragem, enquanto lá estão, para alterar seja o que for.           Sabe-se lá porque! Será que é o percurso que os torna impotentes? Será que têm que vender a alma ao diabo para lá chegar e depois entram também numa espécie de Matrix governamental? É que não entendo como é possível uma questão tão básica, mas tão importante em termos económicos e de confiança, continuar sempre igual ao longo dos anos.

A conversa do governo passa sempre pelo défice, pelo aumento das exportações, pela flexibilização, mas nunca sobre uma coisa que não podia deixar de ser mais real e actual pois esta a acontecer todos os dias e desde sempre. Vamos fazer, vamos acontecer, façam isto, façam aquilo, mas do presente ninguém fala. É bem mais fácil falar do futuro e de projecções optimistas do que começar a cumprir com a mais básica obrigação legal, moral e actual.

O lema parece ser, Ò Zé, dá cá o meu que o teu há-de chegar…

Tudo isto para dizer que era muito importante que as pessoas começassem a pensar melhor neste novo capitalismo e na acção dos governos enquanto nossos representantes.  

Deviamos também repensar este novo paradigma que é o novo crédito e as suas implicações sociais e económicas. 

Claro que, como disse no início, cada um é como cada qual e ninguém esta seguro, mas também é verdade que podiamos estar mais atentos.
Tentar capitalizar sem marginalizar. 

 

Exemplo:

Quem não cumprisse as regras sociais de igualdade, passaria a pagar mais impostos de forma a ser o estado a substituir essa contribuição versus distribuição.

A obrigação existiria e as empresas não veriam interesse em terem o rótulo de anti-sociais pois não lucrariam nada com isso.

Que tal? Desta nem o Karl Marx se lembraria…

Homem de verdade

O poeta transmontano

Ainda mal sabia a história

Com coragem de Leão

Via o espelho da vitória.


 

Pelo mar se fez à guerra

E àqueles que mais amava

Deu-se bem com todo o mundo
E com a terra até brincava.

 

Da alegria e da tristeza

Tirou sempre uma lição

Que verdades são diferentes

Dependendo da intenção.

  

A doença do império

Tentou cedo mencionar

Eis que o Ciclo Lusitano

Apareceu para demonstrar.

 

Que os cravos da liberdade

Brotavam em Portugal

E que os de além pouco contavam
Para a causa nacional.

 

Mas a prosa deste errante

Tinha um toque especial

E sozinho fez a história

Com a vontade original.

 

Sim que a força de tal homem

Não permitiu veleidades,

Viessem de onde viessem,

Às várias contrariedades.

 

Viajou para todo o mundo

Com sentido de trazer

Pão e tecto, e muito mais,

O direito de crescer.

 

Foi este homem de trabalho

Dar amor e confiança

Deu-nos tanto, e até deu tudo,

Deu um mundo de esperança.

 

E agora, na tristeza,

Temos todos que honrar

E cantar tão grande feito

Esta arte de amar.

 

Hurra aos homens de coragem

E aos pregadores de bondade

Salva ao Inglês na passagem

Pois ele é Homem de verdade.