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O nosso caminho
Daquilo que eu faço
Refresco a memória,
Daquilo que eu digo
Não há escapatória.
Àqueles que se ama
Exalta a paixão,
Àqueles que se falha
Procura o perdão.
É tudo tão rápido
Custa a lembrar,
É tudo tão estranho
Dá que pensar.
As coisas mais fortes
São sempre vividas,
As coisas mais nobres
São mais sentidas.
Por isso te digo
Meu querido irmão,
Por isso te faço
Mas sem intenção.
Então pois te peço
Desculpa por mim,
Então pois te lembro
Fazer tudo assim.
Fazer sempre em frente
Com muito carinho,
Fazer sempre em paz
O nosso caminho.
Ventos da razão
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Olha o tempo que não pára
Para lá do horizonte
Olha bem atrás do monte
Mata a ferida que não sara.
Faz do sol a direcção
Mostra à terra o seu farol
Faz da chuva o tal formol
Forma o vento da razão.
Sai da saia da memória
Lembra a rua dos viveres
Sai da renda dos prazeres
Preza apenas a tal história.
Já o mundo rezou parte
Parte dele e só existe
Já que a cantiga persiste,
Peço então, desculpa à arte
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O Nosso PAI KK
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Não sei até que ponto é que as pessoas conheciam muito bem o nosso Pai.
A família e os amigos, por favor, não levem a mal isto que vou dizer mas se calhar só nós, os filhos, é que sabemos realmente de quem é que estamos a falar.
As palavras quase que me envergonham, pois estas nunca farão verdadeira justiça aos actos, e a maioria deles, ainda hoje, de tão excepcionais que foram, fogem à minha humilde compreensão.
Durante toda a nossa existência, eu e os meus irmãos nunca nos cansamos de repetir que o nosso objectivo de vida seria o de, um dia, podermos vir a ser um décimo da pessoa que o nosso Pai sempre foi.
Os meus irmãos podem confirmar que nós sempre passamos a vida a comentar uns com os outros que o nosso sonho era também um dia poder-mos vir a ser para os nossos filhos uma fracção daquilo que o meu Pai sempre foi para nós.
E também da quantidade de vezes que nos questionamos se seria realmente possível haver tanta bondade e generosidade num só ser humano como aquela que o nosso Pai nos transmitia diariamente.
NUNCA, repito, NUNCA conheci alguém tão bom, honesto e generoso como o meu Pai.
Não me lembro de uma única vez que o meu Pai tivesse sentido necessidade de se sobrepor aos filhos de uma forma egoísta ou calculista. Sempre nos explicou tudo de uma forma honesta e quase sempre divertida.
E também de uma forma quase mágica, como quando eu lhe pedi ajuda para um trabalho de História, logo no início do ano no antigo 1º ano do ciclo.
A professora queria que nos respondêssemos à simples pergunta, “Para que serve a história?”
Nunca na vida me esquecerei. O meu Pai estava, como sempre, no sofá com a sua mantinha e com o seu dicionário a escrever o Ciclo Lusitano, quando eu lhe pedi ajuda. E acreditem, nada punha o meu Pai mais contente do que quando nós lhe perguntávamos qualquer coisa relacionada com os estudos. Nunca mais esquecerei, tirou os óculos, pousou-os em cima do dicionário aberto e disse-me;
“Caíto, escreve lá assim” Estudando o passado, compreendemos melhor o presente e tiramos ensinamentos para o futuro.
A resposta era tão simples como a pergunta e, no entanto, tão completa.
Escusado será dizer que no dia seguinte fui o herói da sala de aula e a partir dessa altura, o menino bonito da professora.
E ainda hoje, esse conceito, me ajuda a situar em algumas questões da vida real
O meu Pai era assim, estava sempre disponível, sempre, sempre, sempre. Pode ser difícil de acreditar mas é a mais pura verdade. Desde o pequeno-almoço até à hora de dormir, ele era a nossa alma protectora, ele estava sempre lá, sempre, sempre, sempre.
E essa foi, e será, a razão porque considero que apenas eu e os meus irmãos conhecemos realmente o tamanho e o alcance do seu coração.
Como todos sabem, eu e o meu irmão Nuno tivemos uma fase muito complicada na nossa vida e se eu hoje estou aqui a falar convosco, não tenham dúvidas, deve-se ao meu Pai.
Não pretendo desvalorizar a ajuda da minha mãe e do meu irmão Fernando mas a verdade é que o meu Pai, contra tudo e contra todos, sempre esteve do nosso lado, e de uma maneira que eu ainda hoje não consigo compreender muito bem.
Todos os dias eu pensava como era possível alguém continuar a gostar tanto de nós, e acima de tudo, como era possível alguém continuar a acreditar tanto em nós como o meu Pai fazia questão de mostrar a nós próprios e ao mundo.
Parecia que alguma força divina obrigava o meu pai a ser assim, e isso para mim sempre foi uma sensação difícil de descrever, nem sabia o que pensar, mas foi a maior prova de que o verdadeiro AMOR pode fazer milagres.
É verdade, para mim o meu Pai sempre foi um Santo.
Foi, é, e será sempre o meu Santo e o meu guia espiritual.
Podem haver pessoas a dizer que foi Amor a mais e que, devido a isso, é que as coisas se precipitaram negativamente. Como é possível pensarem assim? O amor nunca é demais, e se podem acontecer coisas más numa vida recheada de amor, imaginem qual a consequência da sua ausência.
Tudo isto para vos dizer que eu e os meus irmãos somos, sem qualquer sombra de duvida, as pessoas mais abençoadas deste mundo.
Deus deu-nos o melhor dos melhores.
O meu Pai era um verdadeiro transmontano e fez sempre questão de transportar consigo, para qualquer lado que fosse, esse sentimento de amor à terra natal.
Também a forma como idolatrava toda a sua família, sem excepção, e o cuidado que sempre teve em passar essa herança para os filhos, sempre me comoveram e sempre fizeram com que eu e os meus irmãos tivéssemos o máximo orgulho em ser também transmontanos.
Isto é mesmo verdade, quando me perguntam de onde sou, a primeira resposta que dou é quase sempre a mesma. Sou transmontano. E digo-o sempre com muito orgulho, podem acreditar.
E o mais engraçado é que essa resposta nunca nos foi imposta. A maneira como o meu Pai nos contava as histórias, as aventuras que nos proporcionava, a forma como sempre fomos recebidos pela família, tudo isso fez com que nós sentíssemos no nosso coração esses valores e vivencias transmontanas.
Alguém da família disse um dia que o meu Pai era um sonhador, um poeta e um artista, e que por isso é que a sua vida se tinha tornado, a determinada altura, mais complicada.
Quando ouvi isso eu pensei, ò meu Deus, será desta forma que o meu Pai será lembrado? Como um artista sonhador, e que por isso, pouco consciente do mundo real?
É por isso que eu repito novamente, será que existe alguém que tenha conhecido realmente o verdadeiro KK?
Toda a minha vida conheci o meu Pai sem vícios, sem qualquer necessidade de ostentação, e sem qualquer ideal de auto promoção, a não ser que com isso pudesse beneficiar a família. Sempre a família em primeiro lugar.
O meu Pai passou décadas a acordar às 4 ou às 5 horas da manhã para ir trabalhar, e sem necessidade pois o seu estatuto permitia-lhe chegar à hora que quisesse.
Por isso, por favor, o seu a seu dono. Existem pessoas muito trabalhadoras mas, que me desculpem, mais do que o meu Pai não. Nunca conheci.
Perfeito? Também não!
Ninguém o é, e ainda bem, pois a vida é um mosaico de coisas boas e más e sem as partes más nunca poderíamos saber onde procurar e encaixar as boas.
Sabem que não é fácil escrever sobre um homem tão sábio, tão íntegro, e tão verdadeiro para mim, como é o meu Pai.
Crescer com ele foi a melhor escola do mundo, foi a melhor aventura do mundo e foi graças a ele que eu e os meus irmãos aprendemos a ser melhores pessoas.
Toda a vida o meu Pai fez questão de nos lembrar aquele a que ele chamava o mandamento dos mandamentos;
“AMAR A DEUS E AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO”
Foi graças a ensinamentos como este que eu e os meus irmãos, apesar dos nossos pecados, sempre tentamos estar à altura do nosso Pai, e dessa forma, amar e respeitar o próximo.
E deixem-me pensar, por favor, que o título do seu livro de poesia baseado no evangelho Segundo São Mateus, foi a sua forma de dizer que eu e os meus irmãos somos realmente, Filhos Do HOMEM.
Nosso PAPAZINHO QUERIDO, descansa em PAZ e OBRIGADO por TUDO.
ATÉ BREVE…