Abaixo os quenapis
Posted by caíto | Filed under Uncategorized
Que me desculpem os que não piscam (quenapis), mas quem não dá pisca devia arder no inferno. Bem, nem todos, pois os meus amigos devem ter uma boa razão para o fazerem e como nunca passei por nenhuma situação aflitiva com eles, assumo que saberão o que estão a fazer. Mas voltando ao inferno, é difícil escrever sobre os piscas e não começar a utilizar os termos ordinários que uso quando ando por essa estrada fora. Eu acho que para contrabalançar com a minha normal boa educação, aproveito alguma dessa malta que anda por aí a não dar piscas e solto o monstro que há em mim. O monstro dos quenapis!! Na maior parte das vezes nem abro o vidro mas pelo menos serve para soltar toda a raiva acumulada, e não é que eu seja uma pessoa raivosa mas acho que estou a criar um ódio de estimação em relação aos gajos que não piscam. Um dia que bata contra um carro por causa dos piscas não sei como irei reagir. Vejam lá, parece que já me estou a desculpar publicamente para a tragédia que poderá vir a acontecer se algum dia bater contra um quenapi. É que não é só o facto de não darem pisca, é a maneira como o fazem. Chego ao ponto de pensar que devem estar organizados, com códigos de conduta, estatutos, e essas porras todas. Como esses gajos devem saber que existem muitos como eu, a melhor forma de entretenimento e de aliviar o stress que encontraram foi a de brincar connosco na estrada. Fazem-no com um desplante tal e com tanta confiança que acho até que devem ter altos conhecimentos nas forças de autoridade. E assim vão andando, sem problema nenhum, a fazer o que lhes dá na gana e sem quererem saber se durante o seu percurso puseram não sei quantos condutores em sobressalto e a acumular stress. E não acredito que não saibam que estão a fazer exactamente isso, a aliviar o seu próprio stress à custa do stress dos outros. Percebem agora porque acho que deviam mesmo arder todos no inferno.
Até já me dei ao trabalho de pesquisar para ver se encontrava por aí uma página, sei lá, qualquer coisa que os identificasse. É que fazem todos a mesma cara, torcem todos a cabeça da mesma maneira, atacam as curvas com os mesmos ângulos, entram todos no mesmo tempo, é impressionante, parece que saíram todos da mesma estúpida escola. Estes são os federados, os profissionais, pois existem vários tipos de quenapis. Temos também os amadores, os despreocupados, os esquecidos, e finalmente, os distraídos (a minha classe). Os amadores são quase piores que os federados pois têm praticamente a mesma postura sem ganharem nada com isso. Nem sequer aliviam o próprio stress e como são igualmente perigosos e recorrentes, podemos considerar que também serão culpados e que merecem o seu cantinho no inferno. Os despreocupados também são irritantes, mas conseguem alternar essa postura com fases de alguma preocupação. Os esquecidos são outra classe interessante e parece que os estou a ver, depois do acidente, a lamentar que se esqueceram que naquele sitio era preciso dar o pisca, como se o pisca tivesse a ver com sítios e não com direcções. Finalmente temos os distraídos, e como distraídos somos todos, em caso de acidente, temos maior atenuante.
Propunha fazer-mos também um referendo acerca deste estado de coisas e a pergunta poderia ser qualquer coisa do género; Concorda que alguém possa conduzir sem fazer piscas, por sua livre vontade, desde que sai de casa de manha até que chegue a casa à noite, e em estradas devidamente autorizadas para o efeito? Em função do que vejo nas estradas diariamente, penso que a resposta seria muito curiosa. É que ninguém gosta de perder “direitos” adquiridos, não é? Pois é meus amigos, estou mesmo a ficar chateado com o evoluir da situação e numa altura em que a sociedade discute temas como a ecologia, o aquecimento global, a solidariedade social e o aborto, a verdade é que não vejo ninguém a insurgir-se contra esta falta de segurança, de educação e de civismo. Parece que já está enraizado nos costumes da malta. A estrada já é tão perigosa, mesmo cumprindo as regras todas, que não entendo como é possível este fenómeno estar constantemente a crescer. É tão frequente que ficamos com a ideia de que já não é penalizado e que a fiscalização não actua. Ai de alguém que não tenha o cinto posto que leva logo com uma multa mas se um qualquer não dá o pisca ninguém liga nenhuma, mesmo que isso possa originar um grave acidente. A única multa que conheço foi para o meu amigo Braga e esse, tenho a certeza, não é federado. Esses andam por aí a espalhar estupidez a seu belo prazer e sem nunca serem incomodados.
Cada vez que temos um carro à nossa frente ou em qualquer lado, temos quase sempre que tentar adivinhar o que irá fazer, para que lado vai, se vai parar ou não. Desgasta e faz perder tempo, e o mais preocupante é que além de batermos por causa de alguém, ainda podemos ser nós os culpados. Estou a escrever isto é a imaginar como iria reagir numa situação dessas, nem quero pensar. É melhor começar já a fazer ioga.
Que tipo de SIM? (só para concluir)
Posted by caíto | Filed under Uncategorized
O que eu tento explicar, de um ponto de vista pessoal e sem querer convencer ninguém, é que a situação estando mal e tendo urgentemente de ser alterada, não o deveria ser em função desta pergunta especifica devido às consequências que ela pode implicar.
Digo no post, mais que uma vez, que o SIM é necessário, mas ao mesmo tempo, e contrariamente a muita gente, não posso concordar com este SIM a 100%.
Eu dou as mesmas razões que a maioria das pessoa dão para justificar o SIM mas não me digam que tenho, ou que devia ir votar. Eu tento justificar esta minha “neutralidade” e não é pelo limiar do crime ou por questões morais e de sensibilidade que não irei votar, a grande diferença esta em que muitos acreditam nesta pergunta, com todas as suas implicações legais e sociais, e eu entendo que a pergunta é muito redutora e por isso perigosa. Eu quero participar mas primeiro tenho que acreditar. Quem me diz a mim que o futuro me fará mudar de ideias em relação a isto tudo? Espero bem que sim, que tudo corra bem e que as mulheres e a sociedade saibam sempre lidar com essa responsabilidade. Nesta altura, ainda não acredito que assim seja.
Será que para por fim à clandestinidade e à vergonha feminina é necessário este tipo de livre arbítrio por completo. Será esta a única maneira? Será que nem vale a pena falar mais disso, pois a grande e salvadora pergunta já foi feita, e quem não for a seu favor é contra? Não compreendo o extremismo da posição.
E se, como afirmam, ninguém é a favor do aborto, como é possível tantos quererem legaliza-lo total e indiscriminadamente? Claro que tem que ser legalizado, mas sem regra nenhuma? A contradição é tão evidente que começa logo nas palavras, parece que a própria gramática se quer transformar em matemática, e que nos está a tentar dizer alguma coisa.
Parece que já estou a ver as criancinhas nas aulas a aprender e compreender desde muito cedo que o aborto é um assunto muito fácil de tratar e de contornar. Já estou a imaginar nas aulas de educação sexual as professoras a explicar, no ponto 1, como é que se fazem os bebes e depois, para aí no ponto 5, como é que se “desfazem. Este é daqueles argumentos estúpidos, tipo caricatura, mas… Ele deve ser fácil e compreensível para todos mas não convêm aligeirar demais o assunto, ou será que sim? É que defender a discussão cívica e social, já para não falar da responsabilidade, depois deste SIM será um exercício da mais pura demagogia pois será sempre um debate inconsequente e quase sem necessidade de participação. E custa-me a acreditar que aqueles que não o querem agora, que está na agenda actual, o poderão querer mais tarde.
Para muita gente basta a superior sabedoria das mulheres, independentemente das condições físicas ou mentais, quer sejam adultas ou adolescentes, para legitimar a opção. Daí a minha referencia ao tudo ou nada, pois passa-se do crime à total desresponsabilização. Reparem que não falo de culpabilização, pois aqui não se trata de arranjar culpados, ou de estigmatizar seja quem for, trata-se é de alguns poderem, ou deverem, ser mais responsáveis do que outros. Esta ideia parece-me tão lógica e de tão bom senso que me custa a entender que não a percebam.
Só falta é saber de que tipo de responsabilidade é que poderíamos estar a falar e esse é que deveria ser o tema central. Fico com pena de ouvir tantas opiniões sobre as consequências da pergunta, como não podia deixar de ser, mas não ver quase ninguém a questionar porque é que deixa de fora algumas questões tão importantes e essências.
Por exemplo, se este é um problema tanto dos homens como das mulheres, onde é que esta a referencia a isso? Parece que aos homens dá-se, apenas e só, o direito de aceitar. Que grande direito para uma das partes envolvidas, que justo e democrático que ele é. Eu como homem agradeço o reconhecimento de que este também é um problema meu mas não sei como agradecer o facto de não ser nem perdido nem achado quando se trata de o tentar resolver. Ou a ajuda que querem é apenas a do voto? Até dava um bom slogan: Homens, participem agora que assim não terão que fazer mais nada depois.
Pode até ser que 99% das mulheres tenham razões para o fazer, mas será que 1%, neste contexto, não será muito? Este não é um referendo qualquer. Não estamos a votar um qualquer problema regional. Estamos a falar de algo bem mais universal.