Que tipo de SIM?

Até hoje, andava já com uma ideia meio concebida sobre o aborto e de como um determinado sentido de voto teria mais lógica do que o outro, mais concretamente, que o SIM, nos dias que correm, teria mais sustentação do que o NÃO.
Reconheço que, para facilitar, pensava no assunto de uma maneira muito mais pragmática do que filosófica, quero dizer, achava que em certos casos o aborto podia ser uma coisa do género, vamos acabar com uma “pequena” vida que esta na sua fase inicial, que ainda não tem percepção de nada e que por essa razão não sofrerá, e assim poderemos salvaguardar uma “grande” vida que supostamente já consegue perceber as implicações que um filho poderá trazer para o seu futuro e deve, por isso, poder decidir. Assim até parece fácil, mas a verdade é que é bem mais complicado do que isto.
Ambos os lados têm razão e por vezes parece que somos, ou melhor, ficamos da mesma opinião daqueles que ouvimos por ultimo, principalmente quando os discursos são bem argumentados, equilibrados e com bom senso. Mas a conclusão, para mim, é só uma. Não há verdades absolutas neste caso e será por esse motivo que eu não votarei neste referendo. Para efeitos de crédito e autoridade moral de qualquer que venha a ser a decisão a tomar, é bom que haja uma grande participação nas urnas e é claro que eu não serei o melhor exemplo a seguir.
Sendo um assunto muito delicado, e para mim tão pessoal, sinto que ainda não reflecti o suficiente acerca dele. Dou por mim a compreender e aceitar certo tipo de interrupções mas também é verdade que noutros casos fico com a impressão de que, no mínimo, estaremos já no limiar do crime.
Felizes devem ser aqueles que, muito seguros e confiantes, votarão com a certeza absoluta das suas convicções. Espero é que não seja segurança e confiança a mais e também espero que, contas feitas, ninguém se ponha a atirar foguetes como se tivesse acabado de ganhar um campeonato qualquer. Ganhe o que ganhar, e quem ganhar, a reflexão deve continuar.
Abortos clandestinos, saúde publica, oportunismo, condições precárias de vida - sendo este um pau de dois bicos pois a precariedade, na maioria dos casos, nem é para aqui chamada - criminalização, pouca informação médica, tabus sociais, etc… Estes são alguns dos argumentos que favorecem o SIM, mas a questão principal será, que tipo de SIM e a que? À despenalização ou à desresponsabilização? SIM ao facto da mulher ter direito de decidir individualmente? SIM à liberalização como acontece noutros países? SIM ao que e NÃO ao que? O tudo ou nada é que me preocupa e acho que devíamos tentar encontrar o melhor compromisso possível entre tantos prós e contras. Como disse no início, o SIM parece inevitável e necessário mas nunca deveremos parar de pensar, de criticar, e de tentar perceber a grande diferença que vai da vontade à real necessidade.
Não há sistemas perfeitos mas podemos sempre tentar ser mais práticos.
Ser preso? Claro que não.
Mas não ser nada? Isso é que também não…

Apresento-vos o meu Pai

Fernando do Carmo Afonso

Nasceu em Corujas, Macedo de Cavaleiros, em 29-05-1940.
O último de treze irmãos, filhos de um antigo combatente da “Primeira Grande guerra”.
Cumpriu o serviço militar, como miliciano, durante três anos, dois e meio dos quais no Norte de Angola.
Viveu, como civil, em Angola e Moçambique.
Regressou, após a descolonização, em 1975.

 

                            O CICLO LUSITANO
                                          Poesia

   “ O Ciclo Lusitano” pretendia, no início dos anos 70, alertar as populações multitudinárias, das províncias ultramarinas portuguesas, para o conhecimento empírico dos povos sofrerem círculos evolutivos, como todo o universo,
     A revolução portuguesa de 1974 veio adiantar-se à publicação deste alerta, mostrando que a história de Portugal, desde as suas origens mais remotas até à actualidade, não é excepção à regra. Vejamos:
- Europa sem fronteiras e sem nações politicamente definidas.
- Europa que se divide em nações.
- Portugal como nação europeia.
- Portugal em expansão pelo mundo.
- Portugal como império colonial.
- Portugal novamente como simples nação europeia.
- Portugal entrando na Comunidade Económica Europeia.
- Portugal fazendo parte da União Europeia.
- Europa sem fronteiras e sem nações politicamente definidas
     Os africanos, pretos, mistos e brancos, das províncias portuguesas tinham que, à semelhança do que sucedeu noutros povos colonizados, nomeadamente no Brasil, Estados Unidos da América e África do Sul, tornar-se independentes, antes que fossem arrastados para uma independência dirigida do país colonizador.
     Desejava também revelar, que a verdade nem sempre é o que nos parece ser. A nossa verdade, raramente é a verdade universal.

 

                                                          A ti, refugiado do terror,
                                                          Por mentes tiranas compungido
                                                          Dos iconoclastas preterido
                                                          Além-mar roubaram teu fulgor
                                                          O direito humano ao pundonor
                                                          Aquém-mar te seja restituído

                                 

 CARMO AFONSO

Fogo de São Telmo

Fogo de São Telmo ou Fogo de Santelmo consiste numa descarga electroluminiscente provocada pela ionização do ar num forte campo eléctrico provocado pelas descargas eléctricas. Mesmo sendo chamado de fogo, é na realidade um tipo de plasma provocado por uma enorme diferença de potencial atmosférica.

O fogo de São Telmo origina o seu nome de São Erasmo (também conhecido como São Elmo ou São Telmo), o santo padroeiro dos marinheiros, que observavam o fenómeno desde a antiguidade, e acreditavam que a sua aparição era um sinal propício

portugal dos pequeninos

Não, não é desse Portugal que faz parte do meu, e provavelmente do vosso, imaginário infantil e que tantos e bons momentos me proporcionou a mim e aos meus irmãos durante os três anos que vivemos em Coimbra.
Falo, isso sim, da pequenez de espírito de muitos veraneantes desta grande praia que é Portugal. Quantas vezes já se perguntaram a vocês próprios ou comentaram com alguém qualquer coisa do género, « mas estes gajos estão todos de férias ou estarão a brincar? », que vendo bem é quase a mesma coisa, ou então, « será que isto fechou e alguém se esqueceu da porta aberta? », ou ainda, « será que lhes terei feito algum mal noutra vida que mereça este tratamento ou esta (pouca) atenção? ». Estes exemplos, por acaso, tresandam a função publica mas não é só aí que o fenómeno acontece. No meu caso particular que visito quase todos os tipos de empresas, deparo-me com realidades e situações que não saberei explicar muito bem pois eu próprio também não as compreendo. O povo diz, e muito bem, que a necessidade cria o engenho mas eu acho que a verdadeira origem deste ditado à portuguesa é a de que havendo uma grande necessidade de não querer fazer muito, conseguimos sempre “engenhar” qualquer coisa para não o fazer mesmo.
Claro que estou a falar de uma imensa minoria e muito mal estaríamos se fossemos todos assim, e afinal, estamos apenas mal. Mesmo que não se identifiquem com este estereotipo, pensem bem! Qual de nós nunca “engenhou” qualquer coisa em determinadas alturas de forma a não fazer o necessário? Podem deixar ficar as pedrinhas no chão por favor.
Eu tento, mas acabo por não conseguir condenar aquelas pessoas que vejo em algumas empresas a levarem uma existência mais relaxada do que o normal, e porquê? Porque algumas dessas empresas têm bons equipamentos, são modernas, competitivas e se existe alguém que me possa parecer condenável, nunca ousaria afirma-lo pois quem me diz que não fazem parte do seu próprio equilíbrio interno,     « Ela não percebe nada disto nem quer perceber mas é a mais organizada quando trata das festas cá do sitio ». Seja lá pelo que for, equipa que ganha não se deve mudar e por essa razão encaro esses comportamentos com pouca, mas alguma, naturalidade.
Do outro lado da medalha temos aquelas empresas cujos colaboradores fazem tudo menos colaborar, e se nas empresas competitivas conseguimos encontrar forma de os desculpar, aqui não há perdão possível pois tudo fica posto em causa a cada dia que passa. Depois a culpa é toda dos patrões ou então do estado que não soube defender os seus direitos. Nós temos realmente alguns maus empresários e temos também um estado que não providencia grande coisa, mas não serão essas as mesmas razões que nos deveriam por um pouco mais alerta? Como diria Kennedy, não pensem no que Portugal pode fazer por vós mas sim o que é que vocês podem fazer por Portugal e quem diz Portugal diz outra coisa qualquer.
Nem sei bem para quem falo, ou do que falo, e arrisco-me a parecer o Pacheco Pereira , qual enviado de Deus à terra, a comentar e criticar o próximo como se fosse o poço das virtudes. Além do próximo eu falo do estado, principalmente das coisas e não tanto do próprio. Essa será outra história. E depois temos o sentimento que eu acho que a maioria dos portugueses tem relativamente à sua maneira de estar na vida. Como acham que não têm condições de levar o estilo de vida que gostariam, sentem que não são bem tratados, logo também não sentem necessidade de tratar bem os outros. É puro instinto animal e existe em todo o lado mas também é verdade que, não só não estaremos no pior jardim zoológico do mundo, como ainda nos podemos dar ao luxo de escrever sobre ele, logo…
Não morreremos todos e pode até ser divertido.

P.S. atenção que eu não confundo a parte com o todo e é lógico que existirá muito boa gente e de qualidade que não vê o seu valor, pessoal ou profissional, reconhecido e que certamente também não se irá rever neste post. Para esses, desculpem lá qualquer coisinha…

Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo…

Qualquer um pode recomeçar agora e fazer um novo fim.

 

A Visão, o poder e eu…

Não consigo dormir. Se calhar eu nem preciso de dormir, não sei porque mas a falta de sono não me esta a preocupar assim tanto, será normal? Do ponto de vista fisiológico não é com certeza, mas isso pode não ser o mais importante pois numa altura destas parecer-me-ia mais razoável tentar convocar alguns espíritos amigos e disponíveis.

Imaginem, por exemplo, que encontrava por ai um índio e que me colava a ele para uma sessão de mescalina, ou de qualquer outro produto alucinatório de fabrico caseiro, que me permitisse finalmente ter uma grande visão. Seria a verdadeira visão, o acontecimento do ano, o mundo certamente não estaria preparado para tal. A consequência imediata seria a de criar uma mega estrutura para gerir a coisa. A máquina perfeita sustentada num marketing espiritual agressivo e personalizado, uma espécie de versão século XXI dos pastorinhos só que desta vez não seriam as ordens eclesiásticas a gerir a situação mas sim a tal estrutura que, claro esta, seria controlada por mim. Afinal de contas, de quem era a bola? Era a minha visão, o meu sinal, o meu reconhecimento seria uma questão de justiça e sempre sustentado pela lei. A única diferença entre mim e o bispo do “reino de deus” seria a de que o iate, o avião, as televisões e as contas de muitos milhões não seriam à custa de uma dízima pré fabricada e de poucos escrúpulos mas sim de uma mensagem real enviada por uma força superior que veio com o divino propósito de ajudar o próximo mas primeiro o próximo teria sempre que me ajudar a mim.

O único problema poderia vir do índio que apesar de passar a vida a ter visões, que é como quem diz, andar sempre nos pampaneiros e a conversar com a estratosfera, nunca tinha tido a tal visão comercial da situação. Espiritual quero eu dizer, sim, que era preciso ter espírito para a coisa e o índio, esse, tinha era espírito a mais e por essa razão nunca tinha tido necessidade de “ajudar” os outros. Poderia no entanto tentar arranjar um advogado manhoso na esperança de me sacar algum. Do género daqueles que vão para os hospitais entregar panfletos, tal qual abutre à espera de uma carcaça fresca, ou melhor, podre. Mas este índio, afinal, não seria problema pois nunca iria conseguir associar o fenómeno à substancia e em 3 tempos deixaria de contar para o totobola.

Mas atenção, grandes poderes trazem sempre grandes responsabilidades e eu saberia ser um misto de mecenas com ditador moderado, se é que os há, isto é, seria pelo “meu” povo assim como o povo seria sempre por mim. Seria da mais elementar justiça.

Não se preocupem, isto é apenas a divagação de alguém que não consegue dormir e que tenta passar o tempo. Pensei em escrever um poema mas achei que a poesia não seria o melhor relaxante para alguém que não sabe escrever, teria que pensar muito e isto não esta para grandes pensamentos como podem comprovar por estas linhas à vossa frente.
Bem, tenho mesmo que tentar descansar já que amanhã é dia de trabalho e eu tenho que estar fresco para poder pintar alguns cenários de uma forma ligeiramente optimista. Mas não será isso no fundo o que todos deveríamos fazer? Poderia ser qualquer coisa do género, « Não Sr. Anselmo, esteja descansado, não é nada preocupante o facto da sua casa ter pegado fogo, aliás, o Sr. sabia perfeitamente que ela estava a precisar de um restauro e até calhou bem alguém ter tido a iniciativa de por mãos à obra ». Pode parecer maldoso mas a verdade é que as coisas têm um determinado valor consoante a perspectiva com que olhamos para elas.

Em conclusão, temos que admitir que quaisquer problemas que a hipotenusa possa ter, serão com certeza as soluções dos catetos. E isto não se aplica apenas aos triângulos, serve também para os círculos, para as esferas, enfim, para todas as geometrias da vida.

AVISO ( obrigação legal conforme decreto lei 1999 barra caminho das estrelas )
Mescalina: substancia utilizada exclusivamente para fins literários e não deve ser usada separadamente

Gaia 1975

Esta passagem de ano foi uma boa surpresa.

Para começar, foi muito bom o convite, por quem foi, como foi, enfim, foi quase perfeito. Parecia que alguém superior dava os últimos retoques no xadrez da passagem d’ano. Juntava-se a fome à vontade de comer e parecia que o roto encontrava o esfarrapado. Este era daqueles convites infalíveis, daqueles que têm “Iso” e onde essa Qualidade estaria sempre assegurada. As nossas experiências anteriores, de convites claro, não deixavam margem para grandes dúvidas, este parecia ser um convite à medida da minha situação. Qual? A de alguém que não queria estar muito preocupado com o local ou com quem iria passar o ano e que até já estava conformado a passa-lo sozinho, pelo menos fisicamente. A ideia não tinha a ver com tristeza ou qualquer melancolia, pelo contrário, tinha tudo a ver com uma predisposição serena e calculista de quem esta a tentar organizar todo um plano pessoal e profissional e para quem todos os dias, todas as horas e até todos os minutos começam a ser cada vez mais importantes.

Mas primeiro, o seu a seu dono pois esta história não existiria se não fosse o tal convite dos meus queridos amigos Pedro e Filipa, ou melhor, o Paixão e a Filipa pois em apenas umas horas compreendi e aprendi a associar o apelido à pessoa e ele é realmente uma paixão de pessoa. Ela é a Deusa da paixão e também aqui o apelido tem tudo a ver com a relação dos dois. Eles são apaixonados em tudo o que fazem, desde a sua casa, onde dominam na perfeição a arte de bem receber, de bem servir, enfim da simples, mas também tantas vezes complicada arte de saber estar e entreter os amigos, passando pela forma como falam de quase tudo e com a honestidade e humildade de quem muito sabe e que mesmo assim esta sempre receptivo e à espera de aprender um pouco mais, e acabando numa educação rara para os dias de hoje e que se poderia associar às suas origens. Parabéns Beira Alta por tão belos frutos.

Fiquei também a conhecer alguns dos seus melhores amigos e posso dizer que adorei a salada de frutas. Adorei os dois irmãos, o conversador Nuno que enquanto teve forças não deixou de tentar montar os CD’sJ para nos dar um pouco de musica, mas sem sorte pois a noite simplesmente não estava a pedi-las, e o ainda mais conversador João com quem adorei falar da sua experiência numa escola de cinema americana em particular e de tudo o que nos veio à cabeça em geral. Adorei a simpatia da Anita, a conversa e o cabelo da Ana, adorei a Filipa que me atraiu com a sua maneira serena de estar e de falar e com aquela carinha que parece ter sido feita à mão. E espero que ela não se tenha apercebido quando, por uns breves momentos, fiquei a contempla-la tentando decifrar a pessoa através dos gestos e expressões.
Atenção que este discurso deve ser entendido, como diriam os ingleses, for the sake of the blog. Não é que eu tenha receio da descrição mas não pretendo “carregar” demasiado a mensagem e se parecer que a coisa poderá ficar meio pesada fica desde já o aviso que será sempre para o bem da nação e, acima de tudo, para que o fogo e a luz nunca se apaguem…