“Há três métodos para ganhar sabedoria: primeiro, por reflexão, que é o mais nobre; segundo, por imitação, que é o mais fácil; e terceiro, por experiência, que é o mais amargo”

Das recordações mais queridas e mais vivas que eu tenho do meu Pai, a musica é se calhar a maior de todas. Foi toda uma vida a ouvir o meu Pai a tocar a sua viola e as suas canções. Para mim eram as suas canções, pois quando se é novo e ainda não se tem a melhor percepção das coisas, o que conta é forma como elas nos são transmitidas e o meu Pai sabia dar um cunho muito especial às “suas” musicas. Foram centenas as vezes que fiquei, ou ficávamos, a ouvir o nosso Pai a tocar no seu quarto, sentado na cama. Nós, deitados, esticados, cruzados, por vezes também sentados, nós éramos o seu publico, os seus críticos e o seu coro. Aprendemos dezenas de canções de todos os estilos e géneros, de amor, de amizade, de alegria, de família, de tudo um pouco. A maior parte delas eu apenas me conseguia lembrar da letra toda se as cantasse com o meu pai. Pode parecer estranho mas é verdade, parecia que a voz dele era a minha partitura vocal. Com ele os sons pareciam encaixar e encadear-se uns nos outros. Para mim era realmente mágico. E de todas as musicas havia uma que eu gostava particularmente de cantar com ele, e tenho a certeza que os meus irmãos se lembrarão muito bem disso, que era uma do seu cantor preferido Nat King Cole. Ansiedad. Como eu adorava cantar esta musica com o meu pai. A sua musicalidade, a sua simplicidade, a sua forma e idioma românticos, o seu jogo de sedução. Para um miúdo entre os sete e os 12 anos já podem imaginar o encanto e o fascínio que me despertava.
Amanha faz um ano que perdemos o nosso musico, o nosso maestro, e por muito que me custe estar a escrever estas linhas, não podia deixar de prestar mais uma simples mas sentida homenagem ao nosso Paizão. Não queria acabar esta mensagem de uma forma muito triste mas, assim como amanhã faz um ano que tudo aconteceu, hoje faz um ano que tudo ainda era normal, tudo ainda era possível, tudo ainda se podia fazer e acertar.
Tudo ainda se pode fazer mas já nem tudo se pode acertar ou concertar.
Descansa em Paz meu Papá querido e obrigado por tudo o que ainda nos dás.

As coisas que a vida nos trás
Tão belas por vezes despeito
Passam quanto nos leva a respeito
Esse cheiro que sentem fugaz
São feridas de guerra e de paz
Lembram linhas da frente e do feito

São viagens que tocam aos pares
Deixam histórias de amor e carinho
São as marcas do nosso caminho
Desses ventos que cruzam os mares
Vivem tal que sem mesmo esperares
Dão conforto ao teu mundo sozinho

De verdade vos digo e confesso
Que não vejo o mal que advém
De saber que se sente alguém
Não sei quanto mas vejo que o verso
Não é algo que traga e nem peço
Compaixão desse mundo porém

Obrigado

Como muita gente já sabe, eu iniciei novamente mais uma daquelas “aventuras” que me põem sempre meio alienado durante uns meses a pensar em muitas coisas ao mesmo tempo e sem grande disponibilidade para nada. Mais uma época de transição, mais uma nova fase que me oferece sempre tanto de motivação como de trabalho.
Escrevo estas linhas apenas agora, não porque estava a espera de qualquer confirmação factual, mas sim porque tenho estado com problemas técnicos que me impediam de publicar qualquer coisa. E quando não se pode concretizar, às vezes, mais vale nem sequer tentar. E já sei que muitos poderão estar a pensar que os problemas deviam ser mesmo do técnico, e não técnicos, mas para esses maldizentes nem sequer me dou ao trabalho de retribuir uma só letra :))
Como eu estava a dizer, entrei novamente numa grande empresa, com tudo o que isso traz de aliciante e de responsabilidade. Nunca é fácil, mas o desafio de tentar “descomplicar” o que pode parecer difícil é sem duvida uma grande tentação e acredito que este novo projecto possa ser muito positivo e que também traga, a seu tempo, mais oportunidades de crescer pessoal e profissionalmente. Aos meus amigos e família que sempre me ajudaram e que foram sempre peças fundamentais nesta empresa pessoal, o meu muito obrigado.

Por vezes, as pessoas nem sempre sabem valorizar as coisas como deve ser, nem sempre conseguem distinguir as más das boas acções. Algumas vezes também não conseguem ver de que forma estão a prejudicar os outros, ou a elas próprias, e nem sequer pensam muito bem no que realmente pode estar em causa. Quantas vezes temos comportamentos que afectam aqueles que mais gostamos, quantas vezes cedemos com umas pessoas e ao mesmo tempo somos intransigentes com outras, como conseguimos em diferentes contextos ser também uma espécie de pessoas diferentes. Quanto tempo já perdemos ao telefone com alguém que não nos diz tanto como aqueles a quem, por vezes, não damos tempo quase nenhum e que, afinal, são aqueles que nos dizem tudo. A ideia de que a família são aqueles de quem mais abusamos é a mais pura realidade. Do facilitismo, da “despreocupação”, do dado (quase) adquirido. Este é o parêntesis mais importante da história pois é a consciência de que nada é adquirido à partida e é um sinal de que todos temos que nos preocupar com a família, com os amigos e com os outros. Os mais despreocupados do presente têm que ser os preocupados do futuro pois devem reconhecer que essa atitude pode condicionar a sua vida e a dos outros. Essa atitude que nunca deve deixar de ser positiva, alegre e colorida, mas que deve tentar sempre ser responsável. Ninguém é perfeito e todos temos os nossos pecados mas estes devem ser excepções na nossa tentativa de melhorar o presente. Sabem, eu já estou um bocado farto de escrever que as coisas devem ser assim ou assado, que eu vou tentar conseguir isto ou aquilo, mas a verdade é que eu até acho que já consegui muito, já compreendi muitas coisas e sei que posso compreender muitas mais. E conseguindo isto, esta consciência, estamos com certeza mais perto de conseguir (quase) tudo. Às vezes temos que escrever este tipo de histórias para pensarmos que podemos estar no bom caminho e que as coisas boas podem realmente acontecer. E também que nunca deixaremos de ajudar os amigos, principalmente quando estes se quiserem ajudar a si próprios.

 

 

Os meandros da bola

Estávamos num final de ano quando me lembrei de criar um blogue onde pudesse escrever o que me viesse à cabeça e onde poderia criticar e comentar os mais variados temas e acontecimentos. Este acabou por ser um misto de tudo com coisa nenhuma e o facto de nunca me ter dedicado a ele com muita regularidade não ajudou muito a coisa.   Mas também pela coincidência da data, quis passar a mensagem de que o seguinte poderia ser um ano decisivo para mim a muitos níveis e a prova disso foi o nome criado para o blogue. Passados estes poucos anos, e não querendo agora comentar o conteúdo e a forma, dou por mim a pensar num paralelismo estúpido e, como o achei tristemente engraçado, deixo-vos aqui esse pensamento. O meu discurso e atitude desse final de ano acabaram por não ser muitos diferentes dos últimos anos, e é agora que eu começo a pensar na semelhança com o “glorioso”. Todos os anos eu acredito e afirmo que vai ser diferente e mais positivo que o anterior, e só não digo que vou ser o campeão porque ainda não me acho em condições para tal. Essa é uma das grandes diferenças da tal semelhança. Os homens dizem sempre que vão ser campeões. Mas, para minha grande tristeza e preocupação, existe uma outra coisa que parece ser quase igual. O Benfica dos últimos anos herdou uma realidade muito complicada de uma má direcção, associada a uma má gestão baseada numa criação de expectativas através de caminhos turvos e de facilitismo. As últimas direcções conseguiram, pelo menos parece, dar alguma credibilidade financeira ao clube e, além disso, conseguiram criar algumas estruturas e equipamentos essências para um clube com a dimensão e objectivos do Benfica. E esta é outra das grandes diferenças, eu sou apenas eu e o Benfica é uma naçon! Mas, no fundo, é tudo muito bonito menos uma coisa fundamental… os títulos, a gloria. A alegria final em vez de algumas alegrias momentâneas que acabam por não conseguir disfarçar a tristeza (a)final. E com esta falta de títulos, todo o processo parece perdedor, todas as pequenas conquistas parecem não ter significado. Que o diga o actual presidente do clube, pessoa que marca a outra diferença. Não querendo retirar outros méritos a alguém que nem conheço muito bem, eu sou como sou e não gostava de ser como ele. Mas voltemos à alegria, esse motor da vida que nos dá força para lutar e para acreditar que, com ela, tudo é mais fácil de enfrentar. É que depois as coisas passam a ter um sentido natural, a alegria vem de todos os lados, de todas as vitórias, das pequenas que passam a ser vistas como o suporte das grandes, das grandes que são o deleite supremo, e até das derrotas que passam a ser as vitórias académicas pelos ensinamentos que proporcionam. Mas, se as condições funcionais e estruturais começam a funcionar, porque carga de água é que as vitorias não aparecem? E aqui esta a infeliz semelhança, aqui é que a porca torce o rabo. Porque uma coisa pode não ter nada a ver com a outra, porque quem faz bem uma coisa pode não perceber nada de outra e porque uma boa gestão de um clube no seu todo, não implica que se perceba muito de futebol ou dos seus principais intervenientes.  Dou por mim a pensar que também eu, se calhar, não ando a perceber muito de “futebol”. Tento arrumar a casa aos poucos, com mais ou menos jeito, com mais ou menos empenho, e o certo é que cada vez me vou sentindo mais protegido. É que os meus problemas são essencialmente actuais, e não dum passado que insistia em atormentar a toda a hora tornando tudo mais complicado. Ainda vai acontecendo mas com outra expressão e dimensão. O meu problema agora está mesmo na raiz do futebol, nas pessoas que jogam dentro das quatro linhas, na táctica, no treinador. Todos os anos confio no trabalho desenvolvido para a tal reestruturação necessária para obter as vitórias tão desejadas mas, ano após ano, não estou a conseguir encontrar uma equipa ganhadora, um espírito comum, um balneário coeso e vitorioso.
Mas que grande analogia, que pensamento elevado. Sabem, na realidade eu até sou um bom jogador de futebol, nem sei bem porque é que as coisas não funcionam. Talvez vá falar com o Rui para ver se conseguimos juntos dar a volta à situação. Antigamente até daria para matar dois coelhos de uma vez só! E já que estou a brincar com a bola, não há melhor chavão para terminar do que dizer que me estou a preparar afincadamente neste defeso para mais uma época de trabalho e de confiança em alcançar as tão desejadas vitórias. E o Sporting pode sempre esperar…

À procura de alguém, à procura de um caminho
O caminho é por ali, e alguém, já o será?
À procura de um espaço, de um lugar
Será que existe, vou tentar ver
Ver para crer ou ver por querer?
Ver para saber ou apenas por viver?
Não sei…vou ver…